sábado, 5 de março de 2011

A Arte do Amor




II

Uma sobrancelha arcada abrigava pura ira, o singelo silêncio, uma cadeia. Um sorriso se traduzia em súplica, Um olhar era entrega e vassalagem. Esse foi, ontem, o nosso amor. Contempla hoje as ruínas em que jaz. Tu continuas a meus pés, buscando perdão, e eu não me desenredo de minha indignação.



III
O amor além de nós passou...
Romperam-se os laços de nossa afeição. Esgotou-se a atenção com que nos nutrimos, e como perfeitos estranhos, nos saudamos. E ainda que eu recorde os dias passados, não sei por que razão meu coração não se parte em centenas de pedaços.

A Arte do Amor,
de Amaru (Índia, séc. VII)

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